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Texto selecionado Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o futuro na categoria MEMÓRIAS LITERÁRIAS

- Publicado em 03/11/2016 às 11:07 - Atualizado em 03/11/2016 às 11:13

A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro é um concurso de produção de textos para alunos e professores de escolas públicas brasileiras, do 5º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Ela já está em sua 5ª edição. São 4 categorias: poema, memórias literárias, crônica e artigo de opinião. Nossos alunos da rede municipal e estadual de educação de Morro Grande também produziram seus textos.

Abaixo, o texto de Memórias  literárias  escolhido que nos representou na etapa estadual da escolha dos textos.

 

             Amigo, gentileza gera gentileza

 

Nasci e vivo em Morro Grande no Sul de Santa Catarina, numa vilinha chamada São Mateus. Quando eu era pequenina morava em uma casa que fora construída em cima de uma lomba, mais adiante morava meus parentes, minha nona Hilda e parentes.

Minha nona tinha o hábito muito legal de compartilhar as coisas. “Toc Toc”:

- Nona?                                                                      

- Sim, trouxe uma melancia para cortar, chama o pessoal!

E eu saía correndo e gritando para o pessoal que estava na roça vir chupar a melancia.

Minha nona era assim: independente do produto que comprava ou plantava, tinha que repartir com seus vizinhos. Uma coisa engraçada que eu achava era que a horta ela chamava de quintal e lá plantava de tudo um pouco. Encontrávamos uma grande variedade de ervas medicinais, temperos, verduras, legumes e até mesmo um pé de laranjas. Minha nona não tinha estudos, mas tinha muito conhecimento que fora passado de geração a geração. Ela conhecia quase todos os tipos de ervas medicinais e quando sabia que algum vizinho estava com muita tosse ou gripe, não pensava duas vezes: logo fazia as chamadas “garrafadas”. Dentre as ervas mais usadas estava a cânfora que ela chamava de canflor. Também tinha o famoso “milagroso” que era uma mistura de várias ervas sendo a principal a arnica.  

Lembro-me ainda com muita saudade do apelido por ela me dado “Alemoa” e quando me falava:

- Alemoa, leva pra nona essa garrafada pra dona Zoleide que, coitada, está muito doente! Manda um abraço e melhoras pra ela!

Apesar de ser uma idosa com seus 79 anos, ela adorava trabalhar na roça, na horta, amarrando ou “manilhando fumo” como se falava. Não podia ver algum vizinho ou parente na roça que já ia correndo dar “uma mão”, como ela dizia:

- Oh! Ivonete, cuida da casa que eu vou lá, na Zoleide, ajudar ela a carpir fumo.

  Como eu gostava de acompanhar ela em qualquer lugar que fosse!  Sempre que faltava algum instrumento para o trabalho agrícola, mandava ir correndo no outro vizinho pedi-lo emprestado para, mais tarde eu devolvê-lo. Como eu era muito apegada a ela, ia sem demora e sem reclamar, pois adorava ajudá-la em seus afazeres.   

Numa certa época do ano minha nona fazia plantação de pepino. Plantava tanto que, quando produzia, ela distribuía esse fruto para a vizinhança toda, que fazia o mesmo: quando tinha algo em abundância, também retribuía.

 Lembro que quando saíamos para longe, pedíamos para ela dar uma olhada na casa, no caso de chegar visita ou até mesmo um ladrão, coisa muito difícil de acontecer pois a vizinhança era toda conhecida e confiável.

Outra coisa muito interessante que minha nona contava é que as festas de casamento eram realizadas no “paiol”, sendo que a ornamentação e a parte de alimentação eram feitas pelos próprios integrantes da família. No cardápio era costume ter: macarrão caseiro, maionese, churrasco, risoto, galinha caipira ensopada e arroz. Como não havia cerveja, tudo era regado a vinho e a pinga, que eram fabricadas em casa. Depois de dançar muito ao som de violeiros e gaiteiros da região, à meia-noite ainda era servido um café colonial típico da roça.

Nas festas juninas, tudo era muito divertido e sem malícia. O paiol era enfeitado com objetos típicos da roça como espigas de milho, balaios, chapéus de palha, peneiras entre outros. As roupas eram todas remendadas e também era de costume os homens se vestirem de mulheres e as mulheres de homens. Era usado o carvão para fazer a pintura no rosto e barba de velho eram as perucas. Isso dava muita coceira, pois algumas tinham piolho de passarinho.  Para alimentação, era feito pamonha, puxa-puxa, pipoca, quentão, pinga e outras delícias.   

Depois de um tempo, minha nona adoeceu e acabou descobrindo que tinha câncer. Um dia, quando estava dando água para o terneiro, recebi a triste notícia vinda de minha mãe: ela tinha falecido. Isso me deixou muito angustiada, pois sabia que nunca mais a teria ao meu lado. Mas deixou-me uma grande lição: que a “gentileza gera gentileza”.  Enfim, todos que conheciam Dona Hilda sabiam de sua generosidade contagiante.  Hoje, a única coisa que faço é mergulhar nas memórias que restam, emocionar-me e sentir saudades...

 

Aluna: Gabriela Tomazi/8ºano

Professora: Rita de Cássia Biz

EMEF Prefeito Dário Crepaldi


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